Por Ivanúcia Lopes
Hoje (24/11), a cidade de Marcelino Vieira completa 56 de Emancipação Política. Com a história contada e recontada pelos seus filhos, a cidade cinquentona sempre se destacou pela riqueza cultural de seu povo, religiosidade e amor à terra. Hoje, há quem decida por uma vida mais agitada e deixe os ares vieirenses pela poeira dos grandes centros, mas mesmo entre esses, há sempre muitos que retornam à “terrinha” para recordar os tempos de outrora e compartilhar dos avanços que hoje se vê.
A cidade de Marcelino Vieira, situada no alto Oeste Potiguar, possui atualmente, mais de oito mil habitantes, mas houve um tempo em que apenas alguns trabalhadores passavam pela região e descansavam à sombra frondosa dos Freijós. A história conta que a cidade nasceu numa região habitada pelos índios Panatís e aos poucos foi povoada por famílias vindas de outros estados. A cidade que desde sua emancipação carrega o nome de um influente agropecuarista e político da região, também foi chamada de Passagem do Freijó, Panatis e Vila Vitória.
Com suas origens marcadas pela fé, o povoado que surgia ao redor de uma capelinha erguida em cumprimento de promessa feita à Santo Antônio foi se desenvolvendo e adotando filhos que mais tarde se juntariam aos seus. E a Vila de Vitória, que dependia de Pau dos Ferros tornou-se “Marcelino Vieira”, graças ao Projeto de Lei 909/1953, assinado por Silvio Pedrosa, governador da época. Segundo o historiador vieirense, Romualdo Carneiro, entre os anos de 1946 e 1964 houve um significativo aumento do número de municípios no estado devido um amplo movimento de emancipações municipais ocorridas em todo o Brasil. Ele explica que a emancipação local está no contexto da Redemocratização, quando mais de 100 municípios se emanciparam no Estado.
Aos poucos, a cidade que não mais dependia administrativamente de Pau dos Ferros, começou a dar seus próprios passos, desenvolvendo o comércio, pecuária e agricultura. Graças à capacidade e aptidões de seu povo, além do desenvolvimento econômico, a cidade ampliou seus valores e destaca-se até hoje, pela afabilidade e educação de sua gente e pelas potencialidades culturais.
Marcelino Vieira já conta com muitos filhos ilustres que levam o nome da cidade por vários lugares, como médicos, escritores, professores, advogados e muitos outros, mas conta também com gente humilde, que na simplicidade, valoriza cada conquista e trabalha por uma cidade melhor.
Na cidade vieirense, é muito forte a tradição oral e escrita da história do município, seja através de causos populares ou de livros escritos por filhos da terra. Muitos são os nomes de pessoas que contribuem para que essa história seja repassada. Educadores defendem que a história da cidade deve ser contada e exposta na sala de aula para os alunos. Eles garantem que a partir disso é possível construir mais conhecimentos. Nas escolas locais, por exemplo, há sempre um interesse de trabalhar a história ligada ao cotidiano e oferecer possibilidades de conhecer de perto a cidade. Segundo a professora Mary Cibeli, que é diretora da Escola de Educação Infantil Raquel Silva é importante estabelecer relações entre o passado e o presente, e que isso seja abordado de forma atrativa na sala de aula.
Seja nas escolas, igrejas, associações, grupos culturais, por meio de projetos, ou mesmo nas conversas informais pelas ruas e calçadas, os vieirenses têm sempre algo a dizer sobre a história da cidade, seja um causo ou anedota, uma lembrança, uma lição ou mesmo a história contada em prosa ou versos, mas há sempre algo a dizer.
Para comemorar os 56 anos de Emancipação Política, a Prefeitura Municipal está programando uma festa que deverá acontecer na terça-feira, dia 24 de novembro. A expectativa é de que a festa reúna a sociedade vieirense e seja uma oportunidade para muitos dos filhos ausentes fazerem uma visita à “Terra de Santo Antonio”.
Matéria Publicada na Folha Regional
Foto: Emanuela Medeiros